Ainda são nossas…

Por todos os lados que eu olho você ainda está lá.

Nas roupas que eu visto, nas músicas que eu escuto, nos perfumes que eu uso.

Depois de tanto tempo é difícil não ter nenhuma parte do meu dia que não me faz lembrar de algo.

De uma piada interna, das nossas risadas, da nossa cumplicidade.

As minhas gírias e as minhas histórias ainda são as nossas. Os meus hábitos ainda não se desprenderam de você.

 

 

Anúncios

Essa tal liberdade…

Está difícil não pensar em você. Estou tentando me encontrar, descobrir quem eu sou.

Os finais de semana ainda são muito incertos.

Eu estou perdida. Perdida nessa tal liberdade que ainda me lembra você.

 

 

 

Proteção

Estou me protegendo. Me afastando de tudo que pode me fazer ter notícias de você.

Preciso preservar minha saúde mental. Preciso me preservar.

Ainda rola uma tensão toda vez que chega uma mensagem no whatsapp, na esperança de que seja você.

Mas não é, nunca é.

Nunca mais vai ser.

O fim

Eu nunca imaginei que esse dia fosse chegar, ele chegou e eu não acreditei. Eu preferi não acreditar.

É só uma fase. Vai passar! – eu dizia pra mim mesma.

Então guardei a realidade no bolso e me vesti com a expectativa mais linda que eu tinha.

Com excessão de algumas palavras que cortamos do nosso vocabulário, tudo estava bem. Mas não estava, sabe?

A expectativa não estava com um bom caimento, uma hora incomodava aqui, outra hora incomodava ali. Decidi então entregá-la na sua mão e a partir daquele momento era responsabilidade sua cuidar dela. Eu esperava que você também fosse vestí-la.

Mas você não vestiu. E pior ainda, me devolveu toda amassada.

Como praticar a gratidão tem mudado a minha vida

Há alguns anos atrás um amigo me falou sobre um livro que faz o seguinte desafio: ficar sem reclamar por 21 dias. Mas não pode reclamar de nada, nada mesmo. Nem mesmo comentários do tipo “Nossa, que frio…”. Difícil, né?

pare-de-reclamar-da-segunda-feira-e-aproveite-a-semana-1975

O livro propõe que você utilize algo que pode mudar de lugar, por exemplo, um anel, uma pulseira ou até mesmo carregar uma moeda no bolso. A cada vez que você se flagra reclamando de algo, você muda esse objeto de lugar. Por exemplo, muda a pulseira do braço esquerdo para o braço direito, e o pior: a contagem de dias zera.

Lembro que na época tentei fazer o desafio por algum tempo, mas não consegui passar de dois dias sem reclamar. Mas o mais legal de tudo isso é que a gente se depara com a quantidade de vezes que a gente se queixa, e como na maioria das vezes são por coisas simples.

Em 2014 fui a um evento do TEDx aqui em São Paulo. Uma das palestras era da Deborah Dubner sobre a atitude da gratidão. De fazermos dela uma prática no nosso dia a dia.

Esses dois episódios que aconteceram em épocas diferentes me marcaram de alguma forma. Ficaram como um projeto futuro: um dia vou tentar de novo ficar sem reclamar e começar a agradecer mais.

De uns meses pra cá resolvi que antes de dormir eu ia agradecer por algo. Nos primeiros dias era um agradecimento simples e aleatório de algo que tinha acontecido no meu dia. Com o passar das semanas, me vi agradecendo por várias coisas que eu não dava valor: ter um teto pra morar, comida na mesa, pela vida da minha família, pelo namorado parceiro que eu tenho, por ter um emprego, etc.

E como tudo isso se relaciona?

A gente tem como hábito reclamar de qualquer coisa. Da comida que está sem sal, da roupa que não está caindo bem, dos nossos pais que pegam no nosso pé, de ter um chefe chato ou um trabalho que não paga tão bem. E com isso a gente se fecha e para de olhar para as pequenas coisas que a nós temos e conquistamos a cada dia.

Quando comecei a praticar mais a gratidão, percebi a vida incrível que eu tenho. Tem coisas que eu quero melhorar e evoluir? É claro que sim. Mas ao invés de ficar me lamentar pelo o que eu não tenho, eu olho para tudo que já  fiz até hoje e sinto orgulho de mim. E isso me dá muito mais força e garra para correr atrás das outras coisas que eu quero.

Com esse processo, percebi que aos poucos o número de reclamações que eu fazia foi diminuindo e consequentemente o meu nível de estresse por coisas pequenas também. E eu tenho sentido uma paz interior e uma plenitude tão grande que, sinceramente, tenho estranhado.

Resultado disso tudo:

A Garota Enxaqueca que morava em mim deu espaço para uma Hayama Good Vibes. Obviamente não sou a personificação da Paz de Espírito 100% do tempo, mas com certeza eu sou uma pessoa mais tranquila e feliz. Mas acima de tudo grata pela vida.

be-grateful

Se você quiser, pode conferir a palestra da Deborah Dubner aqui e baixar o pdf do livro “Pare de Reclamar e Concentre-se nas coisas boas” aqui.

 

Ode ao Comodismo

Por que se tem alguma coisa que me irrita é gente acomodada. Pessoas acomodadas geralmente são simpáticas e solicitas apenas em momentos convenientes. Lidamos com esses tipos de ser humano durante toda a vida.

A coleguinha do colégio que só queria fazer dupla com você, porque você mandava bem na matéria. O engraçadão da turma da faculdade que sempre fazia o simpáticão na hora de formar grupos de trabalho. Seu chefe que acha que só porque paga seu salário pode fazer um remake de Escrava Isaura, te usando como protagonista.

Acomodados abusam da simpatia, sorrisos, apelidos fofos, mas principalmente, da boa vontade alheia pra conseguirem o que querem. Te tratam bem, mas na hora de falar sobre coisa séria deixam tudo pra amanhã. São convincentes ao dizerem: “Pode deixar que eu resolvo”.

Coisas comuns acontecem a esse tipo de pessoa: não atendem o celular ou a bateria do celular simplesmente acaba, ficam presos com frequência no transito, a mensagem do whatsapp nunca chega, o e-mail é hackeado, o computador pifa, o cachorro morre e o pintinho piu! Deixam tudo para a última hora, só aparecem quando tudo está resolvido para perguntar se podem ajudar em alguma coisa. Sempre pedem desculpas e falam que vão melhorar.

Tô de boa de gente assim. Tô cansada de gente assim. Sou brasileira, mas desse tipo de pessoa eu desisto sim.

A Folhinha, o ipê e o vento

Era uma vez uma Folhinha que vivia no galho mais forte e mais alto do ipê mais firme e mais enraizado do bosque.

A Folhinha vivia feliz. Lá do alto ela podia ver todo o resto do bosque e todas as outras árvores e folhas. E podia ver também, lá ao longe, a solidão que existia além da clareira.

Na clareira não havia pinheiros, nem figueiras, nem pessegueiros, nem oliveiras  e nem outros ipês como os que tinham ao seu redor. Lá só existia uma vegetação rasteira, sem vida, sem verde, sem nada. Um degradê marrom-triste.

Apesar de estar presa ao enorme ipê e de não poder se desprender do galho que a prendia a Folhinha estava bem ali e não desejava fazer parte de nenhum outro mundo a não ser aquele que ela pertencia. Ela se sentia segura ali e a idéia de um dia um vento mais forte surgir e a tirar dali a apavorava. Ela tentava não pensar muito nisso.

Certo dia no final de uma tarde levemente ensolarada, mas fria de outono, ao longe, na linha do horizonte, ela viu um céu cinzento, nuvens carregadas, quase negras, vindo em sua direção. E por mais que nesse exato momento ela desejasse ser a folhinha que vivia no galho mais baixo, ela nada podia fazer.  A Folhinha já conseguia sentir a brisa se tornando um vento. E a cada segundo esse vento se tornava mais forte e mais forte. O enorme ipê que a abrigava balançava muito, gotas pesadas de chuva caiam sobre ela, um enorme barulho em forma de assovio.

Gotas cada vez mais grossas caiam sobre a Folhinha, o barulho era quase ensurdecedor. O ipê chacoalhava, chacoalhava e chacoalhava. E ela já não sabia mais distinguir se era um furacão, um tornado, um terremoto ou todas essas coisas juntas. A Folhinha fazia força, como se permanecer naquele galho dependesse dela, e se ela pudesse chorar naquele momento, ela choraria.

folha_vento

De repente tudo começou a girar e nada mais fazia sentido. Ela e o enorme furacão que se formara eram uma coisa só. Mas de repente o assovio foi cedendo e a tempestade se transformou em chuva, e a chuva se transformou em uma garoa e ela se viu caída no meio da clareira. Sozinha.

Ali do chão ela não conseguia ver nada, desejando que tudo aquilo fosse um enorme pesadelo. Ela não queria secar, ela só queria voltar.

Sexta-feira 13

Poderia ser mais uma sexta-feira qualquer como qualquer outra sexta-feira do calendário (para nooooossa alegriiiiia), mas era sexta-feira 13.

Voltando para casa ela resolveu fazer um caminho alternativo, só para não cair numa rotina. Trocou as estações do metrô e entre uma baldeação para a moderna linha amarela. Descendo a escada rolante ela avista uma cabeleira loira, conhecida, familiar.

Em sua cabeça ela repetia o mantra “Não é ele, não é ele, não é ele” enquanto a escada ia automaticamente descendo, não tinha como escapar era ele. “Puta que pariu, ele me viu”. Não tinha muito para onde fugir, o máximo que ela podia fazer se afastar um pouco e entrar algumas portas depois da dele.

O metrô chegou, ela entrou. Quem conhece a linha amarela sabe que não existe divisões de vagões é um enorme minhocão recheado de gente.

Ela parou em frente a porta de costas, tentando não ser vista. Pelo reflexo ela o vê logo atrás olhando fixamente.

“O que ele tá fazendo aqui a essas horas? Ele tem carro, por que raios ele resolveu pegar metro? Ele mora na casa do chapéu.. Puta queopariu.. QUERO SUMIR”. Tentando parecer natural, coisa que realmente ela não estava conseguindo ser, pegou o celular e começou a ligar freneticamente para seus melhores amigos, nenhum deles atendeu.

Ela resolveu encarar. Ele não parava de olhar para ela que retribuía os olhares da mesma forma. Nenhum dos dois trocou sequer uma palavra. Mas no fundo dos olhos dos dois a inquietação e o desconforto se fazia presente.

Eles dois que eram antigos amantes, cúmplices, amigos.  Se encaravam em um silêncio constrangedor e íntimo.

Ela desceu na estação que ela deveria descer. Ele prosseguiu viagem.

pra quem nao lembra quem eu sou, vc ate que ficou olhando demais pra mim agora no metrô”.  – escreveu na mensagem.

E como já era de se esperar, mais uma vez ele não respondeu nada. Ele continua um idiota.