Visita Indesejada

Ding Dooooooooong

 A campainha toca. Quem será em pleno feriado? Levanto na maior preguiça do sofá. Vou até a porta,  dou uma olhadela pelo olho mágico.  ‘Aaaaaah não! Ela não! Justo hoje?’. A visão enfadonha que vejo é da D. Carência toda sorridente do outro lado da porta, acenando um oizinho com as mãos.  

Mal abri a porta e a D. Carência, toda fanfarrona já foi entrando sem eu convidar (ultimamente ela vem me visitando bastante, então já está se achando íntima da casa)  fez questão de se sentar no sofá, colocar os pezinhos em cima  da mesa de centro e na maior naturalidade já foi pedindo para a empregada lhe trazer um café fresquinho com três gotinhas de adoçante e algumas bolachas para acompanhar.

Eu fiquei ali olhando, sem entender nada. O café que ela tanto queria foi feito e entregue em suas  mãos. Deu o primeiro gole e  começou a falar.

– Feriado é bom, né? E você aí solteirona não foi viajar, menina? – disse ela em um tom irônico

– Não, não fui! Sabe como é, né? Gastei além da conta em março sem me lembrar que tinha um feriado a caminho. – respondi

– Menina, você devia ter guardado dinheiro. – ela insiste em me tratar como uma criança toda vez que aparece, cheia de diminutivos – Até por que você tá ai, sozinha, sem namorado. E olha esse tempinho frio. Perfeito pra ir ao cinema dar uns beijinhos, uns amassinhos no escurinho. Ou até mesmo ficar em casa vendo um filme qualquer da sessão da tarde, abraçadinho de conchinha embaixo do cobertor.

Eu começo a olhar para ela com aquela cara de poucos amigos  e tento lhe explicar:

– Olha, D. Carência, tinha mesmo que me lembrar de como tudo isso bom? A Sra. sabe o quanto eu prefiro namorar, tanto que das vezes que eu namorei a Sra. nem me visitava, nem lembranças mandava por algum amigo seu. Afinal, quando eu namoro quem costuma me visitar é o Amor, a Paixão, o Querer Bem e às vezes até a Dona Saudade (que quando aparece nessas épocas se torna uma companhia bem agradável) e até onde eu sei eles não são seus amigos. Sem querer ser deselegante com a Vossa Senhoria, mas já sendo, você sabe bem que a sua visita não me agrada muito, mas que nos últimos tempos eu tenho me acostumado com as suas aparições surpresas. Mal sabe você o quanto eu sinto falta de me apaixonar perdidamente, amar loucamente. Ficar boba ao receber uma mensagem de texto, ficar com um sorriso de orelha a orelha só por que ele me ligou pra saber como eu estou e pra falar que ligou só pra ouvir a minha voz, dizer que estava com saudades de mim. Se for isso que a Sra. queria me lembrar quando bateu minha porta nesta sexta-feira santa, pois bem, já conseguiu!

Então me levanto, vou tirando aqueles pezinhos da mesa de centro, tomo na maior educação a xícara de café das mãos dela, e já vou agilizando a saída. A levo gentilmente até a porta e vou enxotando a intrusa na maior delicadeza.

Ela ainda tenta falar mais alguma coisa.. e eu a interrompo:

– Volte um outro dia. Hoje é feriado. Acho bom a senhora descansar. Aaah.. pensando bem não volte tão cedo. Se quiser não precisa mais voltar. E caso encontre o Sr. Amor diga que ele será sempre bem-vindo, que ele não demore a me visitar. E que quando vier dessa vez traga a pessoa certa! Passar bem!

Fecho a porta e volto para o meu aconchegante sofá!

PS: esse post foi inspirado em um dos textos da Mayra Lobão do blog Nutella com Morango.

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