“o gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço”

Antes de tudo gostaria de deixar claro que não sou crítica de cinema. Apenas estudo teatro o que aflorou em mim uma visão artística. Então pode ficar tranquilinho(a) aí na cadeira pra ler o resto do post, porque não conto nada do filme.

Na última terça-feira (01/11/2011) fui ao cinema no Kinoplex do Itaim, aqui em São Paulo, com o objetivo de assistir ao segundo filme dirigido por Selton Mello.

Não espere deste texto uma sinopse sobre o filme, não saberia fazê-lo.

Sobre “O Palhaço” apenas posso dizer que é um filme impecável em tudo: na fotografia,  nofigurino, na cenografia, na iluminação, na escolha das locações para a filmagem, e Meu Deus como é linda a trilha sonora.  E, é claro, não posso deixar de incluir as atuações.

Selton Mello soube conduzir como ninguém toda a trama. Mas o que mais me impressionou foi o humor puro, sincero, inocente e sem duplos sentidos que fizeram o público presente gargalhar. É rico na linguagem poética, é sensível, é emocionante e gostoso de assistir, de apreciar. Mas, principalmente, o filme não é só engraçado é também emocionante. A trilha sonora como não poderia deixar de ser é circense, sem ser piegas.

Não desfiarei elogios a Selton Mello que sempre foi genial e um ótimo ator. Paulo José dá em cena uma aula de interpretação. É nítido e transpassa para o público que está em frente à tela o prazer que ele tem em fazer o que faz, em atuar. O elenco de forma geral está afiadíssimo. Mas gostaria de destacar a pequena Larissa Manoela (que fiz questão de pesquisar no Google) que interpreta a menina Guilhermina. Larissa me ensinou o que o meu querido mestre e professor de teatro Beto Silveira sempre fala: “o texto pouco importa, o que importa mesmo é a intenção”. Ela tem apenas uma fala durante todo o filme, mas que intenção ela tem em cada cena, que olhar, que brilho e que presença de palco que a garota tem. É de dar inveja a muitos atores experientes.

Não posso deixar de falar também das geniais escolhas das participações especiais: Fabiana Karla, Emilio Orciollo Neto, Jorge Loredo, Moacyr Franco (imperdível a cena dele, inclusive foi premiado como melhor ator coadjuvante), Jackson Antunes, Ferrugem, Tonico Pereira, Maria Manoela AND Danton Mello!

É bom ver que o cinema nacional está cada vez mais rico. É bom também ver que não precisamos de violência, sangues e tiros. Que podemos e devemos ter mais filmes leves e de ótima qualidade. Que não precisamos apelar para as coisas ruins do cotidiano e que podemos apreciar o belo e nos divertirmos com ele.

Se um dia tiver o prazer de encontrar Selton Mello pessoalmente não posso deixar de agradecê-lo por “O Palhaço”. Agradecer por me fazer sentir como uma criança novamente e por nos relembrar o verdadeiro sentido e lado humano do palhaço.

E se segurem este é só o segundo filme de Selton Mello. Aguardarei ansiosa pelos próximos.

Não é teatro. Mas é um espetáculo para se aplaudir de pé!

RECOMENDADÍSSIMO!

o gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço”

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2 opiniões sobre ““o gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço”

  1. Concordo com cada linha do que tu escreveste guria!
    O cinema nacional tem me deixado feliz demais da conta…
    Mas, o que mais me tocou no filme, além de tudo que você já comentou (e muito bem!) foi o dilema sobre escolhas.
    Acho que essa dúvida é a causa da maioria das crises existências da humanidade. E o Selton Mello, mesmo sem colocar isso explicitamente no texto, deixou bem claro no roteiro, que o filme era sobre isso. E toda personagem, por menor que tenha sido sua participação era de uma intensidade tão grande que nos mostrava em que momento entre os momentos de escolha estavam, os desejos mais íntimos explicitados em cena, seja com falas ou intenções.

    Ou talvez, essa percepção do filme seja só uma visão egocêntrica de minha pessoa, porque me vi retratada na angústia, na idealização, na tentativa e no encontro verdadeiro de Benjamin com Pangaré!
    Ah, também não sou crítica de cinema nem nada, e como uma leiga expectadora, eu AMEI o filme. Sem sombra de duvidas pro meu ranking dos melhores.

    • Flor,

      Obrigada pelo comentário!
      Concordo com cada linha que vc escreveu. Acredito que em quase todo mundo que assistiu ao filme tenha tido a mesma percepçao que vc (eu tb tive a mesma). Não quis falar sobre isso apenas pq acredito que cada um interprete essa dúvida do Benjamim/Pangaré de uma forma. E tb pq nao queria dar maiores detalhes sobre o filme, pra poder estigar quem ainda nao assistiu a “O Palhaço” de ir ao cinema assisti-lo.
      Concordo tb com o que vc disse sobre o elenco. Estavam todos muito afiadissimos e com vontade de fazer o filme acontecer, ter brilho. Eles estavam ali, presente, vivos em cena. Com um brilho no olho que fazia a gente da poltrona do cinema criar uma intimidade com cada um deles mesmo que a distância.

      Selton Mello foi realmente genial nesse filme!

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