A Folhinha, o ipê e o vento

Era uma vez uma Folhinha que vivia no galho mais forte e mais alto do ipê mais firme e mais enraizado do bosque.

A Folhinha vivia feliz. Lá do alto ela podia ver todo o resto do bosque e todas as outras árvores e folhas. E podia ver também, lá ao longe, a solidão que existia além da clareira.

Na clareira não havia pinheiros, nem figueiras, nem pessegueiros, nem oliveiras  e nem outros ipês como os que tinham ao seu redor. Lá só existia uma vegetação rasteira, sem vida, sem verde, sem nada. Um degradê marrom-triste.

Apesar de estar presa ao enorme ipê e de não poder se desprender do galho que a prendia a Folhinha estava bem ali e não desejava fazer parte de nenhum outro mundo a não ser aquele que ela pertencia. Ela se sentia segura ali e a idéia de um dia um vento mais forte surgir e a tirar dali a apavorava. Ela tentava não pensar muito nisso.

Certo dia no final de uma tarde levemente ensolarada, mas fria de outono, ao longe, na linha do horizonte, ela viu um céu cinzento, nuvens carregadas, quase negras, vindo em sua direção. E por mais que nesse exato momento ela desejasse ser a folhinha que vivia no galho mais baixo, ela nada podia fazer.  A Folhinha já conseguia sentir a brisa se tornando um vento. E a cada segundo esse vento se tornava mais forte e mais forte. O enorme ipê que a abrigava balançava muito, gotas pesadas de chuva caiam sobre ela, um enorme barulho em forma de assovio.

Gotas cada vez mais grossas caiam sobre a Folhinha, o barulho era quase ensurdecedor. O ipê chacoalhava, chacoalhava e chacoalhava. E ela já não sabia mais distinguir se era um furacão, um tornado, um terremoto ou todas essas coisas juntas. A Folhinha fazia força, como se permanecer naquele galho dependesse dela, e se ela pudesse chorar naquele momento, ela choraria.

folha_vento

De repente tudo começou a girar e nada mais fazia sentido. Ela e o enorme furacão que se formara eram uma coisa só. Mas de repente o assovio foi cedendo e a tempestade se transformou em chuva, e a chuva se transformou em uma garoa e ela se viu caída no meio da clareira. Sozinha.

Ali do chão ela não conseguia ver nada, desejando que tudo aquilo fosse um enorme pesadelo. Ela não queria secar, ela só queria voltar.

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